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Luisão - Vinte Títulos! (and counting...)

Se todas as batalhas da

"SE TODAS AS BATALHAS DA HUMANIDADE SE TRAVASSEM APENAS NOS CAMPOS DE FUTEBOL, QUÃO BELAS SERIAM AS GUERRAS!" (Augusto Branco)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

NÃO TEMOS ONZE


Tenho-me apercebido nas conversas com amigos benfiquistas e em vários blogues que existe uma preocupação dominante: Qual será o "onze" do Benfica para 2016/2017?

Pois bem, creio que é tempo de abandonarmos esta ideia e expandirmos os nossos horizontes. O plantel do Benfica para esta época - não obstante estarmos ainda longe do fecho de mercado, com a incerteza que daí decorre - terá qualidade em quantidade para apresentar pelo menos dois jogadores de alto valor por posição. O "onze" para cada jogo será escolhido pelo mister Rui Vitória em função do momento de forma dos jogadores e da estratégia definida para enfrentar cada adversário.

Mais do que perdermos tempo em brigas fraternais, dividindo os que preferem o Nelson Semedo em vez do André Almeida, ou o Pizzi em detrimento do Carrillo, para dar só dois exemplos, importa enaltecermos a qualidade disponível e verificarmos as nuances de jogo que a variedade do plantel nos permite.

Avancemos então para uma análise das duplas (nalguns casos triplas) de jogadores prováveis para cada lugar:

Baliza - Temos em EDERSON e JÚLIO CÉSAR dois magníficos guarda-redes. Em princípio será escolhido um para o Campeonato e Liga dos Campeões e outro para as Taças. O PAULO LOPES aproveitou a pré-época para mostrar que ainda podemos contar com ele em caso de necessidade.

Lateral-direito - ANDRÉ ALMEIDA e NELSON SEMEDO. O André tem sabido evoluir e é hoje um jogador muito importante no plantel. Fez uma belíssima época e dá garantias. O Nelson tem potencial para vir a ser um dos melhores laterais europeus. Já é um dos melhores no plano ofensivo.

Central (direito) - LINDELOF e LUISÃO. O iceman é fortíssimo em todos os aspectos do jogo e ainda vai melhorar ao longo desta época. O Capitão Luisão está aí para as curvas e continuará a ser um elemento fundamental no balneário e no relvado.

Central (esquerdo) - JARDEL e LISANDRO. O guerreiro Jardel é um dos heróis do Terceiro Anel. Com toda a justiça. O Lisandro também é um central muito eficiente e garante a qualidade que precisamos no eixo da defesa.

Lateral-esquerdo - ELISEU e GRIMALDO. Tal como na lateral-direita, dispomos aqui de dois jogadores de qualidade, com características diferentes. O Campeão da Europa joga mais em apoio ao meio-campo e ataque e ganhou competência defensiva na época transacta. O Grimaldo é ele próprio um desequilibrador partindo do corredor esquerdo. Faz muitas vezes um movimento muito interessante para o interior que, estou certo, passará a ser melhor aproveitado com o apoio frontal de um dos avançados.

Em resumo, na Defesa o alto padrão de qualidade está assegurado. Poderemos apresentar uma linha mais subida com laterais super-ofensivos (Nelson e Grimaldo) ou uma linha defensiva de maior contenção (Almeida, Luisão, Eliseu).

Médio-defensivo - FEJSA, CELIS e SAMARIS. Fejsa em forma enche o meio-campo. Celis ainda espero para ver melhor. Samaris é o mais polivalente do plantel e garante qualidade em todas as funções.

Médio-centro (8) - ANDRÉ HORTA e DANILO. O Horta é bom jogador e tem tudo para evoluir até ao patamar que precisamos. Gostava que começássemos a época com uma solução mais efectiva, dando tempo ao miúdo para crescer com calma, jogando de vez em quando. Será Danilo esse 8 que precisamos? Gostei da época que fez no Braga, não o acompanhei no Valência.

Médio/Extremo-direito - SALVIO, CARRILLO e PIZZI. Salvio é a nossa "arma de destruição maciça" e parece cada vez mais próximo da sua forma. É o extremo mais vertical, mais puro de que dispomos. Carrillo, logo que esteja em boa forma, será um elemento especial pela criatividade e imprevisibilidade com que aborda os lances. É só uma questão de tempo, temos de ter alguma paciência. Pizzi é mais um equilibrador e construtor, o ala que se junta aos médios, um jogador importante pela flexibilidade táctica que permite ao treinador.

Médio/Extremo-esquerdo - CERVI e ZIVKOVIC. Jogadores rápidos e habilidosos. Bem enquadrados tacticamente serão quebra-cabeças terríveis para os adversários.

Então, na zona central do Meio-Campo, ainda há questões por resolver. Nas Alas temos qualidade e variedade. Não esquecer que todos os extremos (excepto Salvio) podem jogar nas duas faixas, o que por si só permite uma variação do jogo ofensivo.

Segundo-avançado - JONAS e GONÇALO GUEDES. O Gonçalo tem marcado pontos na pré-época e terá encontrado nesta posição o seu espaço para brilhar de águia ao peito. Do Jonas não é preciso dizer nada, pois não?

Ponta-de-lança - MITROGLOU e RAUL. O grego é um Senhor dos Golos e joga de olhos fechados com o Jonas. O mexicano empresta mais mobilidade e capacidade de pressão na frente de ataque. É claramente um caso para Rui Vitória ir escolhendo o titular em função do momento de forma (e golos) de cada um e das características do adversário.

O nosso Ataque é de topo, mesmo para o nível da Champions.

Deixo de fora desta breve análise vários jogadores que parecem estar mais perto da porta de saída. Ainda assim, estou em crer que este grupo de 25 será aumentado para um contingente final de 26 ou 27.

Como se vê, o Benfica não tem um "onze". Tem um plantel de enorme qualidade que nos permite encarar com optimismo a época que aí vem!






domingo, 24 de julho de 2016

TORINO, CLUBE IRMÃO






Nos anos quarenta do século XX não havia competições europeias oficiais entre os clubes de futebol.

A aferição de valor entre a elite do futebol europeu fazia-se então nos confrontos pontuais que eram organizados particularmente entre as melhores equipas do Velho Continente.

A equipa do Torino FC era unanimemente considerada a melhor do mundo quando, em Maio de 1949, se disponibilizou para vir a Lisboa defrontar o Benfica num jogo de homenagem (não de despedida) ao capitão Francisco Ferreira.



















Il Grande Torino, campeão italiano em 1943, 1946, 1947, 1948 e 1949 
(em 44 e 45 não se realizaram campeonatos nos moldes habituais, devido à II Guerra Mundial)

O Torino contribuía habitualmente com nada menos que oito jogadores para a selecção de Itália, e chegou a fornecer dez para o onze titular. Note-se que a Squadra Azzurra era bicampeã do Mundo em título (vencera em 1934 e 1938, ainda sem estes jogadores). 

Segundo rezam as crónicas, os Granata praticavam um futebol atraente e ofensivo, num inovador esquema 3-2-2-3.








Capitão e melhor jogador da equipa, Valentino Mazzola era um médio-ofensivo muito completo, construtor e finalizador.






                                                                                                                        

Mazzola é considerado pelos que o viram actuar o jogador mais completo de sempre. "O Valentino é metade da equipa, a outra metade somos nós todos" terá dito Rigamonti, seu colega. 
Venceu os cinco campeonatos que disputou ao serviço de Il Toro e uma Taça de Itália marcando 82 golos em 136 jogos. 

(Em cima e à direita, junto do filho Sandro Mazzola, craque do Inter nos anos 60)




Em Fevereiro de 1949, por ocasião de um Itália-Portugal (4-1), ficou acordada a participação do Torino num jogo de homenagem que o Benfica entendeu fazer ao seu capitão, Francisco Ferreira.


Itália - Portugal (4-1), em Fevereiro de 1949, no Luigi Ferraris, em Génova




Francisco Ferreira, "o perfeito capitão", realizou 445 jogos de águia ao peito marcando 35 golos, em 14 épocas.

Formado no F.C. Porto, foi contratado pelo Benfica em 1938/39. Assumiu a braçadeira em 1943 e manteve-a até à sua despedida em 1951/52.

Foi 25 vezes internacional e capitão da Selecção Nacional a partir de 1947.

Médio-esquerdo, forte fisicamente, era um lutador inteligente que galvanizava a equipa.



O JOGO


Chegada dos italianos a Lisboa, em 2 de Maio de 1949



















Trouxeram os seus melhores. A julgar pelo resultado, 4-3 para o Benfica, terá sido um jogo bravamente disputado.

O Estádio Nacional, palco do encontro (a Luz só seria inaugurada em 1954) rebentava pelas costuras, tal a paixão que Il Grande Torino despertava entre os amantes de futebol em todo o mundo.

Os capitães Ferreira e Mazzola trocam galhardetes



TORINO - De pé e da esquerda para a direita: Lievesley (treinador), Castigliano, Ballarin, 
Rigamonti, Lloik, Mazzola, Bacigalupo e Egri Erbstein (director técnico). Agachados:
Martelli, Menti, Grezar, Gabetto e Ossola. (via serbenfiquista.com)





















BENFICA - De pé e da esquerda para a direita: Jacinto, Moreira, Fernandes, Félix, Francisco
Ferreira, massagista, Rogério Contreiras. Agachados: Corona, Arsénio, Espírito
Santo, Melão e Rogério Pipi. (via serbenfiquista.com)
























Imagem do último jogo do Grande Torino, em 3 de Maio de 1949. Após o pentacampeonato conquistado nesta época, os granata só voltariam a ser campeões de Itália em 1975/76.


Após o jogo decorreu um jantar-convívio entre jogadores e elementos de ambos os clubes



A TRAGÉDIA

No fatídico dia 4 de Maio de 1949, o avião que transportava a melhor equipa do mundo embate numa colina, já perto de Turim, junto à basílica de Superga. Morreram as 31 pessoas a bordo.































No Museu Cosme Damião, podemos ver um destroço deste avião

























Coube ao mítico treinador Vitorio Pozzo, a penosa tarefa de identificar os corpos.






"O que aconteceu aos meus heróis?!" - parece indagar o garoto






No dia seguinte, os jornais deram conhecimento da tragédia e o impacto foi imediato. Milhares de benfiquistas consternados acorreram à Embaixada de Itália em Lisboa, como forma de mostrarem a sua solidariedade com a dor do povo italiano.






















Milhares de Benfiquistas junto à Embaixada de Itália, no dia seguinte ao acidente































“Para os jogadores foi uma coisa que ficou gravada na memória. Foi uma tristeza absoluta, uma tristeza daquelas grandes como se morresse um pai, uma mãe ou um filho”. Referiu Rogério Pipi, um dos goleadores no jogo de dia 3.


Em Turim, os funerais tiveram a presença de mais de meio milhão de pessoas...








...para prestar homenagem aos que caíram em Superga




Faltavam cumprir quatro jornadas para terminar o campeonato italiano de 1948/49. O Torino apresentou-se com os júniores. Os seus adversários também. 


Ainda nesse mês de Maio, o colosso sul-americano River Plate deslocou-se a Itália para participar num jogo de solidariedade cujas receitas reverteram para as famílias das vítimas.
La Maquina (termo por que era conhecido o River) defrontou um misto de grandes jogadores mundiais que simbolizaram a equipa do Torino, entre eles Di Stefano.




Em 1964, o Grande Benfica foi a Turim assinalar o 15º aniversário da tragédia de Superga.

"O Benfica num gesto de gentileza, em 6 de Maio de 1964, colocou a equipa à disposição dos dirigentes do Torino FC para assinalar os 15 anos da tragédia, homenageando em Turim, o Grande Torino, com um confronto entre os dois emblemas. E assim foi. Eusébio marcou dois golos (...)" in Em Defesa do Benfica (blog).



Mais tarde, ainda nos anos 60, nova deslocação a Turim. O Monstro Sagrado deposita uma coroa de flores no memorial de Superga, acompanhado por José Torres, José Augusto, Eusébio e o Presidente Adolfo Vieira de Brito.


Ao longo dos últimos anos têm sido frequentes as homenagens prestadas pelo Benfica ao Grande Torino e fortaleceu-se o laço sentimental entre os dois Clubes e os seus adeptos.

Lisboa não esquece. Honra ao Grande Torino


O agradecimento dos tiffosi


Adeptos do Benfica e do Torino, em Turim


Na próxima quarta-feira há muitas razões para enchermos a Luz! 
Honrar o Grande Torino e a História do Futebol!
Honrar o nosso Rei Eusébio!
Saudar os Tricampeões e dar as boas-vindas às novas contratações!









quinta-feira, 21 de julho de 2016

MUITOS E BONS!


Estamos a meio da pré-época 2016/2017. 

É tempo de fazermos conjecturas do que será o nosso plantel, sem esquecer que até ao final do mês de agosto podem ocorrer saídas e uma ou outra entrada importantes. 

Para já, salta à vista que o grupo à disposição de Rui Vitória será subtraído de sete ou oito elementos, para um contingente a rondar os vinte e seis. Vejamos: 3 guarda-redes, 2 jogadores por posição (+20) e mais um jogador por sector (+3 ou +4). Serão tidas em conta as POLIVALÊNCIAS necessárias e disponíveis no plantel. E também a equipa B.

Partindo do princípio que manteremos o 4-1-3-2 habitual, - e obrigatório, assim Jonas continue connosco, como esperamos - podemos organizar deste modo os que estão em estágio:




Mitroglou







Raúl

Jonas





Fonte

Jovic







Guedes







Benítez











Cervi


A.Horta


Salvio

Zivkovic


Talisca


Pizzi

Carcela


J.Teixeira


Carrillo












Fejsa







Celis







Samaris












Grimaldo

Jardel

Lindelof

N.Semedo

Eliseu

Lisandro

Luisão

A.Almeida

Marçal



Kalaica



Reinildo


















Ederson







J.César







P.Lopes











Ederson e Marçal lesionados e Eliseu de férias, também constam deste quadro. Não considerei Ivan. 

De notar que vários destes elementos são POLIVALENTES, podendo ser "arrumados" noutras posições. 

Nomeadamente, todos os extremos podem jogar à esquerda ou à direita, excepto Salvio. O Pizzi, que não é um verdadeiro extremo, pode jogar na direita ou no meio. Não me parece que renda tanto na esquerda, mas também é possível.

Coloquei o Gonçalo Guedes a 2º avançado, pois tem estado muito bem e tem mais hipóteses de jogar aí do que a extremo. Benítez também é polivalente e poderá fazer as quatro posições do ataque. Do pouco que vimos, não creio que seja uma hipótese credível para jogar a 8. 

Continuando a destacar as polivalências, no meio-campo temos Samaris que joga a 6, joga a 8 e até pode dar um excelente central. 
Talisca tem sido utilizado ora a 8, ora a 2º avançado, ora nas alas. Creio que só poderá afirmar-se como 8. Aliás, a sua afirmação - que já tarda - tem sido prejudicada pela constante mudança de posições. O facto de ainda não ter sido utilizado aponta para a sua saída. Por que valor vale a pena?

Na defesa, André Almeida e Lindelof são os polivalentes de serviço, podendo também actuar como médios-defensivos.

Em relação a reforços, acho que só precisamos mesmo dum Super 8 para ficarmos PODEROSÍSSIMOS!

Quanto às saídas, proponho-vos um trabalho de casa: Quais são os sete (ou 6 ou 8) jogadores que deverão sair do plantel principal, entre empréstimos, vendas e equipa B, para ficarmos com os 26 (ou 25 ou 27) que irão atacar o Tetracampeonato?
Tarefa árdua, dada a qualidade em quantidade.

Não abordo ainda o jogo colectivo, muito menos os resultados. Há factores relevantes que enviesam essa análise: o momento e a qualidade dos adversários; as cargas de treino e a díspar condição física dos jogadores; a quantidade de novos elementos com poucos dias de treino com a equipa; e a pressão de marcar posição face à vasta e forte concorrência. 
Em todo o caso, o sistema e a filosofia de jogo parecem manter-se, o que é bom!